Com a navalha: Adele Catarina. Ficaremos com 4 poemas dela.

Arboreto
Com os olhos fechados
Me vejo em arboretos
De árvores retorcidas
Mas que mesmo assim
Trazem consigo belas flores
Essas flores tão vivas chamam os pássaros
Pardais, bem-te-vis, pica-paus e sanhaços
Um passaredo
Em um arboreto
Tão belo e tão vivo
Que esquecemos que as árvores das flores
São retorcidas

Passos
O mundo não me era mais tão estranho
Abriam-se as bocas
E delas nasciam os sols e as luas
De cada sonho
Inócuas são as minhas tentativas de olhar além do que me dão
As mãos secas do destino nos carregam
Para exatamente onde estamos

Sertão
Eles ainda estão lá
Baleia, Jucundina, João
Suas vozes ressoam no árido sertão
Em cada alma que vaga pelos campos queimados
Na agricultura que mata
No fogo que destrói

Estranhos
Entregue à dores estranhas
Aos estranhos
E talvez essas dores virem estranhas
Por serem comum aos estranhos
No fim você é um estranho
Para si mesmo

Meu nome é Adele Catarina, tenho 19 anos e sou estudante de Relações Internacionais na UFS (Universidade Federal de Sergipe). Sempre gostei de ler e me surpreendia com o impacto que a arte, seja qual for, tinha na minha vida e na vida de outras pessoas. Por isso, comecei a escrever: para que, mesmo não tornando algo público, conseguisse expressar o que acontecia ao meu redor e dentro de mim, além de sensibilizar pessoas ao meu redor.
Gostei muito dos seus poemas, muito sensíveis … continue a escrever! Parabéns!