EDITORIAL
A primeira vez que trabalhei num texto a metáfora de que palavras são objetos cortantes foi no dia 21 julho de 2020. Minha mãe havia me chamado para ir a um dos terrenos do coroa. Enquanto catávamos um cozinhado de feijão-de-corda, me veio a ideia de que palavras são canivetes. Não só enquanto objeto-lâmina, mas também duplicando e estendendo a metáfora para uma gíria regional: canivete é a vagem do feijão que ainda não está madura, está verde demais para ser colhida. É preciso todo um manejo para saber qual vagem é ou não canivete, antes de colher. Naquela tarde, em que o cheiro de morte por COVID 19 chegava até o sertão, percebi que com palavras não é diferente. O conto saiu no meu primeiro livro, o Sete domingos por semana.
Em 2021 tentei tocar um projeto literário que se chamava Literatura & Outros Blues. A ideia? A de sempre: colocar à disposição mais um espaço para propagar literatura nacional contemporânea. Publicamos muita gente boa, mas o projeto arrefeceu logo no início do ano seguinte. A faculdade e suas imposições. No dia 16 de agosto 2023 retomo a ideia. Novo fôlego, novo nome: surgia O Navalhista. E o nome vem dessa reflexão que fiz sobre palavra como objeto cortante, ao mesmo tempo que ouvia Belchior me norteando que “palavras são navalhas”. Quem escreve, quem lida com esses objetos cortantes, é navalhista.
A ideia da revista sempre teve raízes fundas em minha cabeça. Meses estudando e maturando a coisa, surgiu o chamado para a Revista O Navalhista. Aqui estamos, nossa primeira edição. 20 navalhistas demonstram sua arte de manejar navalhas-palavras. Poesia. Conto. Crônica. Traduções. Entrevista. Enfim, que gostem do resultado tanto quanto eu. Desfrutem. Bora navalhar?
O Editor
Já baixei tem ela física?
Olá, Cícero. Tranquilo? No momento, estamos apenas com a edição digital. Uma de nossas metas é viabilizar a edição física. Agradecemos por nos acompanhar.
Que legal como essa revista surgiu desejo sucesso .
Agradecemos demais. Siga nos acompanhando e somando como possível!