GUSTAVO ARAGÃO CARDOSO – 6 poemas
GUSTAVO ARAGÃO CARDOSO – 6 poemas

GUSTAVO ARAGÃO CARDOSO – 6 poemas

Com a navalha: Gustavo Aragão Cardoso. Segue 6 poemas:

 

 

Revista Navalhista

 

 

POLINIZA AÇÃO

 

num instante

o poema

faz-se pássaro

encantado

que alça voos

ensimesmados

entre o presente e o futuro

polinizando plagas

e seres diversos,

propagando transformações.

 

 

Revista Navalhista

 

 

INSTANTE

 

sou o instante

recoberto de auroras

num fio de tempo

descoberto

 

revelo-me num átimo

de poesia revelada

na pele do traço

no regaço da palavra,

pálido de ausências

 

 

Revista Navalhista

 

 

NASCITURO

 

no ventre do tempo

sou gestado

envolto por silêncios

e palavras.

 

eis que, no útero de instantes,

contrai-se o mundo,

plenilúnio de angústias

 

gemidos subjetivos

gritam-me à realidade

sinto-me sol

a estourar

 no horizonte

 

 

Revista Navalhista

 

 

NASCER

nasço,

tomo a linha

superfície

traço

poesia

espalmar da vida

 

e, ainda

 umbilicalmente,

enlaço

o instante,

visto-o

de palavras.

 

em circular de cordão,

permaneço

conecto-me

ao mistério eterno

da vida.

 

 

Revista Navalhista

 

 

DIMENSÃO 1

 

dentro do tempo há rastro de estrelas,

fadas de silêncio, feitas de luz

e poesia, composta por palavras,

cinzéis do ritmo primitivo,

que me embala

neste instante.

 

dentro do poema no tempo,

esqueletras, mas também borboletas,

nutridas com raios da cyberlua,

entrelaçados a cantos ancestrais,

que bailam nos ouvidos de minha alma.

 

dentro do poema, a poesia,

urdida pelos dedos convulsos do poeta.

porções de mistérios, flores e lampejos,

pérolas abrasadas de sentimentos,

canhões irisados, que atiram certeiros

a alcançar os olhos do homem aturdido.

 

o instante é a surpresa azul

da poesia, que inerte,

rege sinfonias

e transforma pensamentos, condutas,

para além do tempo.   

 

 

Revista Navalhista

 

 

NA BOCA DO MUNDO


na boca do mundo
no oco do tempo
estou em transe

e a poesia 
corta
o silêncio;

navalha insone
de pensamentos
que me despe e
me transforma.

in tranquila
lâmina 
que me rasga
e, ao mundo
ao meio
ambulando 
e parindo, na dor,
sensações 
irrequietas.


Gustavo Aragão Cardoso

Gustavo Aragão Cardoso – Escritor, poeta, professor de Língua Portuguesa, graduado em Letras Português pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), Mestre em Estudos Literários pelo PPGL-UFS, Doutorando em Estudos Literários, na linha de Criação e Processos Literários pelo PPGL-UFS.

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