FABYO GUERRA – 4 poemas
FABYO GUERRA – 4 poemas

FABYO GUERRA – 4 poemas

Revista Navalhista

 

 

MONOLITO

 

monolito

centro infinito

pelo que passa

ímpeto (arrasa)

pela frase que traça

ao chegar

 

sobrepostos supostos

sedimentos sentimentos

dos mais fundos

ficam mais sólidos

solitários

e sórdidos

 

 

Revista Navalhista

 

 

OBRA DE MARTE

 

obra de marte

dobram-se crisálidas soltas no ar…

te deum beijo…

sublimar-te…

como a parte foice…

e ficou a um vento

à mercê da noite

posto que não-te

sim-to

toca como abrigo

cá como abrigo gota

pinga

e arde a face

 

 

Revista Navalhista

 

 

LAPSOS DO TEMPO

 

como seda ao vento

pétalas de orquídeas

com matizes e aromas

são o alvo agora

de meu pensamento

 

como a fita trabalhada

pelas mãos da ginasta

embaraça os sentidos

lembrando os lapsos do tempo

 

não lamento o cinzento dia

ou o sol que arredia

diante da face seca antiga

pois irrigam veias minhas

a atiçam novas sinapses

 

torpor quente que resfria

embranquecendo a mente

ao passar pela avenida

das sensações sentidas

 

 

Revista Navalhista

 

 

NÓDULOS

 

que se queimem

os restos

daquilo que nunca foi

ou nunca chegou a ser

por falta de fé

onde calos se acumulam

nos pés

pesos soltos nas costas

se tornam nódulos

não módulos


Fabyo Guerra iniciou suas incursões artísticas no desenho e nas histórias em quadrinhos, o que despertou seu interesse pelo design e pela arquitetura, área em que se graduou. Na adolescência, a poesia entremeou sua vida e, a partir disso, tornou-se a principal forma de expressão de seu ser. Em seguida veio a música, sua segunda paixão. Seu principal projeto musical autoral, a banda de rock experimental Frontal, teve estética fortemente influenciada por sua poética. Organizou uma coletânea de poemas de sua autoria intitulada Gritos Escritos, participou da antologia de poemas “UIVO” (Avá, 2022) e publicou nos Jornais da FAU/UnB.

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