
MONOLITO
monolito
centro infinito
pelo que passa
ímpeto (arrasa)
pela frase que traça
ao chegar
sobrepostos supostos
sedimentos sentimentos
dos mais fundos
ficam mais sólidos
solitários
e sórdidos

OBRA DE MARTE
obra de marte
dobram-se crisálidas soltas no ar…
te deum beijo…
sublimar-te…
como a parte foice…
e ficou a um vento
à mercê da noite
posto que não-te
sim-to
toca como abrigo
cá como abrigo gota
pinga
e arde a face

LAPSOS DO TEMPO
como seda ao vento
pétalas de orquídeas
com matizes e aromas
são o alvo agora
de meu pensamento
como a fita trabalhada
pelas mãos da ginasta
embaraça os sentidos
lembrando os lapsos do tempo
não lamento o cinzento dia
ou o sol que arredia
diante da face seca antiga
pois irrigam veias minhas
a atiçam novas sinapses
torpor quente que resfria
embranquecendo a mente
ao passar pela avenida
das sensações sentidas

NÓDULOS
que se queimem
os restos
daquilo que nunca foi
ou nunca chegou a ser
por falta de fé
onde calos se acumulam
nos pés
pesos soltos nas costas
se tornam nódulos
não módulos

Fabyo Guerra iniciou suas incursões artísticas no desenho e nas histórias em quadrinhos, o que despertou seu interesse pelo design e pela arquitetura, área em que se graduou. Na adolescência, a poesia entremeou sua vida e, a partir disso, tornou-se a principal forma de expressão de seu ser. Em seguida veio a música, sua segunda paixão. Seu principal projeto musical autoral, a banda de rock experimental Frontal, teve estética fortemente influenciada por sua poética. Organizou uma coletânea de poemas de sua autoria intitulada Gritos Escritos, participou da antologia de poemas “UIVO” (Avá, 2022) e publicou nos Jornais da FAU/UnB.